quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Crônicas da Minha Vida (187) + Devaneio



.: DEVANEIO :.


— Com licença, boa tarde, pode me dar um minuto da sua atenção? Eu prometo: é só um minuto.
— Tá. Você tem um minuto.
— Obrigadinho. Então... Quer casar comigo?
— Não!
— Mas por que não?
— Porque não! Eu nem sei quem você é.
— Exato! E se eu fosse um milionário, hein? Você não sabe e já disse que não.
— Você é um milionário?
— Não.
— Eis que está.
— Mas eu pretendo ser um.
— Há uma grande diferença entre pretender e ser. Ah, por que eu estou falando com você? Eu nem o conheço!
— Meu nome é Eduardo, eu gosto de basebol, filmes, boas roupas, carros velozes, uísque, e você... O que mais precisa saber para me conhecer?
— Essa não é a fala do Johnny Depp em Inimigos Públicos?
— Sim, é sim. Um filme legalzinho, mas não dá para assistir mais de uma vez, porque daí fica chato e, francamente, a atuação dele como John Dillinger nem de longe foi uma das suas melhores.
— Aham. Ele não combina com esse perfil. Não adianta, o Johnny Depp TEM que ser um sujeito excêntrico, é por isso que a atuação dele como Jack Sparrow fez tanto sucesso.
— Exatamente. Por sinal, estreará o quarto filme ano que vem. Bem que a gente poderia ir assistir, o que acha?
— Eu acho que... Não.
— OK, primeiro nós temos de assistir Sim, Senhor porque, caramba, você tem que parar com essa obsessão com essa palavrinha de três letras.
— Não o incomoda nem um pouco estar me perturbando aqui sem ao menos saber qual é o meu nome, hein?
— Mas eu sei o seu nome. É Mônica, ora.
— C-Como voc-cê-ê...
— Está escrito aí no seu crachá, coração. Mônica Matos. Um nome adorável. Traz lembranças da minha adolescência.
— O nome dela é Mônica Mattos. Tem dois “T”. Percebe que me comparou a uma atriz pornô?
— Eduardo e Mônica. É. Os nossos nomes combinam legal. Até escreveram uma música!
— E você não está me escutando... Incrível. Eu nem aceitei o seu pedido e você já está me ignorando, acho que isso é recorde: a morte mais rápida da comunicação em um relacionamento.
— Isso quer dizer que você aceitou o meu pedido, amor da minha vida?
— Não! Eu só estava sendo irônica...
— Nesse caso, deixe-me dar uma dicazinha: da próxima vez que for irônica, tente alterar um tantinho o tom de voz, porque senão as pessoas não perceberão e você, minha futura esposa, ficará com cara de idiota.
— Ótimo, porque eu adoro parecer uma idiota.
— Isso explica o porquê de ter escolhido esses sapatos.
— Você sempre ofende as mulheres que pede em casamento, ou eu sou um caso especial?
— Você é um caso especial em tudo, porque depois que eu vi você, não há mais outra mulher no mundo para mim.
— É uma pena, campeão. Isso quer dizer que você terá de passar o resto dos seus dias brincando com a sua mão.
— Veja bem, pelo menos eu estarei fazendo sexo com alguém que eu amo.
— Cara... Isso foi...
— Absurdamente engraçado?
— Na verdade, eu ia dizer “nojento”.
— Então você deve adorar coisas nojentas porque, olhe só, está com um sorrisão de orelha a orelha.
— É que você é tão ridículo que me faz rir.
— Rir é importante. Pense no tédio que seria sair com uma criatura incapaz de arrancar um sorrisinho sequer de você!
— Tá, seria horrível...
— Pois então, case comigo e eu prometo uma vida de momentos mais divertidos que a Disneylândia.
— Acredita que eu nunca fui lá?
— Nem eu. O que é ótimo, porque agora nós já sabemos para onde iremos durante nossas primeiras férias juntos.
— Férias? Você ainda não tem nem o meu telefone e já está pensando em férias? Incrível!
— É porque eu sei que você me dará o seu telefone, isso é o de menos. Agora ir a Disneylândia é algo complicado, nós precisaremos economizar bastante e ainda teremos de arranjar os nossos passaportes, e isso pode ser problemático.
— Tá, o que faz você pensar que EU vou dar o meu número para você?
— Tudo.
— Tudo o quê?
— Tudo, ora. A sua linguagem corporal. O jeito como você mexe no cabelo, os risinhos, a inclinação do seu corpo, a maneira como tem me deixado diminuir o espaço entre mim e você, essas coisas. Vamos concordar, babe, você está completamente na minha.
— Nossa, mas como você é arrogante!
— Você diz arrogante, eu digo confiante, mas não faz diferença, afinal, seja qual for à palavra, o resultado já é conhecido: você vai dizer “sim” quando eu a convidar para sair comigo.
— E para onde você pretende me levar?
— Para jantar, para dançar e para passear pela orla de noite. O céu estrelado é simplesmente fantástico, você ficará encantada.
— Deve ser bonito mesmo.
— Bonito, não. Fantástico. Mais fantástico do que o Fantástico que de fantástico nada tem. Por sinal, eu tenho um primo idêntico ao Zeca Camargo, você o conhecerá no próximo aniversário da família, ele é um cara legal.
— Já está pensando em me apresentar a sua família? Mas como você é apressado!
— Apressado, eu? Não, não. Eu apenas posso ver o futuro. Isso foi uma profecia.
— Então por que não prevê os números da Mega Sena?
— Porque os únicos números no mundo inteiro que têm alguma importância para mim são os do seu telefone. E aí, o que acha de escrevê-los em um papelzinho para eu ligar mais tarde e dizer para você se arrumar, porque estarei indo buscá-la dali à uma hora para a gente sair?
—... ... ... ... ... ...
— Eu estou esperando.
— E se eu for lésbica?
— O Filho de Deus não deixaria acontecer uma coisa dessas.
— E se eu for um serial killer?
— Um beijo e você poderá me esquartejar à vontade, mas, ei, se pretender me matar e me estuprar, por favor, faça nessa ordem, porque eu não curto essas coisas de cinta caralha, não.
— “Cinta caralha”, o que é isso?
— Outra hora eu conto para você, ainda está muito cedo, o horário não permite, há crianças andando pela rua. E falando em andar, eu preciso ir andando, ou então quem vai querer me matar será a minha irmãzinha bochechuda, mas antes de sair correndo... O seu número, por favor.
— Aqui. Não perca. Ligue-me depois das oito. É quando eu chego da faculdade.
— Ligarei às oito e meia.
— Tá.
— Então... Um beijinho de despedida?
— Talvez mais tarde, campeão.
— Bem, você não pode me culpar por tentar, coração. Beijos. E até mais tarde.


.: CRÔNICAS DA MINHA VIDA (187) :.

1780.
F: (tristezinho) Por que as pessoas vivem se esquecendo de que eu sou um gênio e perdem seu tempo tentando me enganar?
Co: Porque todo mundo sabe que você entrou no site da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre para ver em que cidade ficava a universidade, mas só eu sei que você descobriu onde a [censurado] morava baseando-se em uma foto dela em frente a uma janela.

1779.
CW: Por que você não tem Last.fm? Faz um, puxa. Preciso compartilhar com você [o] meu gosto musical (risos).
F: (brincando) Tá, se esse caminhão gigante conseguir passar por essa rua minúscula sem arrebentar o cabo de eletricidade, eu prometo que faço um Last.fm.
CW: Sacanagem, companheiro, porque uma menina aí (esqueci o nome dela) pediu para você fazer Twitter e você fez. Posso com isso, velho? Frase do Datena. Sempre o imito falando (risos). [Eu] sou fã do Datena. Beigos.
F: Idem. Ele é um dos melhores telejornalistas de hoje em dia. “Digite algumas bandas que você gosta”, isso vai demorar.
CW: Isso aí eu nem respondi. Foda é que nossa compatibilidade sempre vai ser baixa por causa das músicas de maluco que você gosta.
F: Gosta de Pink Floyd?
CW: Gosto.
F: Você gostar de Pink Floyd é tudo que importa no quesito compatibilidade musical.

1778.
F: O problema do método tradicional [de instrução] é que tudo gira ao redor da nota. Não faz diferença se você aprendeu ou não, apenas se você alcançou a nota e passou de ano, tanto faz os métodos utilizados.
CW: O colégio faz a sua parte (ainda que malfeita nos públicos) e você tem que correr atrás. Você pode ser simplesmente ser um idiota que cola em todas as provas e se gabar por não ter aprendido necas ou pode alcançar a sua nota estudando e aprendendo. Compreende a democracia sendo lindamente feita nesse processo? Você escolhe: se foder, ou não.

1777.
CW: Eu acho ruim. Uma droga.
F: Ah, ele [José Saramago] é bonzinho. Melhor do Camões.
CW: “Melhor do Camões”?
F: Opa, faltou um “que” aí. Melhor do que Camões. Agora sim.
CW: Melhor do que Camões?
F: Melhor do que Camões. Melhor do que o amiguinho do D. Sebastião. Melhor do que o autor d’Os Lusíadas. Devo continuar com os epítetos?
CW: (olhar assassino).
F: É impressão minha ou você está com uma vontade de me bater que somente não será realizada por haver cinco mil quilômetros de terra me protegendo?
CW: É exatamente isso.
F: Pela primeira vez em todas as nossas conversas, eu disso isso: “Abençoados sejam os cinco mil quilômetros!” (risos).

1776.
CW: Também tava comendo uma pizza, fui tirar a toalha para comer, mas o fato é que agora eu quero mais e [o] meu cabelo tá pingando.
F: Enxugar o cabelo seria uma boa solução para esse “problema”.
CW: Se for colocar a toalha, não vou poder comer. Se comer, ele vai ficar pingando. Escolho a toalha.
F: Então, ah, por que é que você não pode comer quando está de toalha na cabeça, hein?
CW: Essa é uma pergunta meio Louie Louie.
F: Eu não sei o que isso significa.
CW: Louie Louie é uma música meio dã. É que desde pequena a gente aprende isso na igreja, é como entrar na missa de boné, falta de respeito, sacas?
F: Não sabia disso, nunca fui muito fã da igreja. Obrigado por contribuir com a minha cultura.

1775.
CW: Ele [Jim Sturgess] parece muito com o Paul McCartney.
F: Égua, nada a ver com o Paul McCartney!
CW: http://images.icanhascheezburger.com/completestore/2008/12/16/128739432044956425.jpg.
F: Tá, retiro o que disse.

1774.
CW: Disseram que ele [Jake Gyllenhall] tava pegando a Taylor Swift.
F: Taylor Swift parece um dos moleques do Hanson!
CW: (muito risos) Pior é que parece mesmo! (risos) Eu não tinha pensado nisso. Bem pensado.
F: Thank you.

1773.
Lu: Ai, Felipe, vai caçar um pinto.
F: Eu não preciso (piscadela).
Lu: Precisa sim.
F: Claro que não. Eu já tenho um.
Lu: Tsc. Pode ter outro.
F: Não preciso, esse um já está ótimo.
Lu: Falei de pinto de galinha.
F: Idem, vovó tem um quintal, um dos pintinhos é meu, o nome dele é Vingador.
Lu: Por que Vingador?
F: Porque Caverna do Dragão é demais.

1772.
Nh: Na minha família só tem mulher.
J(p): E na minha só tem homem.
F: (pensamento) De duas, uma: ou vocês terão um filho bicha, ou uma filha sapatão.

1771.
Ar: (suspiro) Eu queria ter nascido há vinte anos.
F: (espantado) Mas você nasceu há vinte anos!

2 comentários:

Paju Monteiro disse...

Rapaz, se fosse necessário escolher um post, bem, eu escolheria esse como o meu favorito. INCRÍVEL... Divertido mesmo. Me orgulho de ter a tua amizade FATO! (Não se ache). Saudade de tu meu caro, faz tempo já que não falamos, uma pena. Morri, morri mesmo de rir com a história do vingador. Amigo querido, quando eu crescer quero ser igual a você... Só que sem pinto. Abraço da Paju;

Camila Wu disse...

Se essa conversa ( a primeira ) realmente aconteceu com você, devo dizer que você é extremamente arrogante. hehe. e muitas outras coisas [censuradas, pois a guria pode estar lendo também, né?!]

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