sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Crônicas da Minha Vida (206) + Devaneio



.: DEVANEIO :.

Nós, humanos, somos egocêntricos. Não tentem negar. É a realidade. E tudo bem, não há problema nisso, faz parte da nossa natureza — nós, invariavelmente, acreditamos que o nosso umbigo é o centro do universo. MEU pai, MINHA mãe, MEU amigo, MINHA amiga, MEU namorado (para meninas e gays), MINHA namorada (para meninos e meninas interessantes), MEU carro, MINHA roupa, MEU isso, MINHA aquilo. É algo que nós fazemos inconscientemente. Não tem jeito. Nós agimos como se o mundo tivesse sido criado ao nosso redor e então encontramos um modo de fazer com que tudo que acontece tenha alguma relação conosco — do último hambúrguer daquele carrinho de lanches até aquele atentando terrorista no Curdistão. Por conta disso, nós somos, inevitavelmente, levados a crer que as pessoas se agarram em cada uma das nossas palavras e prestam atenção em cada singelo conselho por nós dado.

O caso é: isso não é verdade. Porque, veja bem, o receptor, assim como você, caro interlocutor, também acredita ser o ponto ao redor do qual todo o universo gira ao redor, desse modo, a sua palavra não tem o mesmo valor que a palavra dele, se por um acaso alguém vier pedir um conselho a você, tenha em mente que, na maioria das vezes, esse outrem somente está procurando uma pessoa para concordar com o que já decidiu há tempos.

Portanto...

Se você, em toda sua vida, conseguir fazer com que pelo menos uma única pessoa escute de verdade o que você tem a dizer e então siga o seu conselho, sinta-se feliz, porque você é um bastardo de sorte.


.: CRÔNICAS DA MINHA VIDA (206) :.

1970.
CW: Se eu fosse rica igual a ele [Renato Russo], minha chance de sucesso [no mundo da música] seria bem maior.
F: Mas você não é, viva com isso, dê um jeito, se vire nos trinta, alcance o estrelato de qualquer jeito e prepare-se para ouvir muitas pessoas dizendo “Eu chorei litros quando li a sua biografia (por Felipe E. Cruz R., obviamente), é uma história tão emocionante...!”.
CW: (risos felizes).

1969.
F: Fome!
Papai: Conta uma novidade.
F: O senhor sabia que se uma pessoa nascer em águas internacionais, então ela é tida como cidadã do mundo?
Papai: Não.
F: Eis aí uma novidade, então.

1968.
Ma: E o Vestibular [da UFPa]? Passou?
F: Não sei, não saiu o resultado ainda.
Ma: Pô, energia positiva que o universo retribui!
F: Isso foi tão New Age da sua parte (risos).

1967.
F: Ah, precisamos marcar de sair qualquer dia desses, aproveitar as férias e entregar o DVD do [seu namorado].
Ju: ISSO!
F: É só dizerem o dia, qualquer um menos essa quarta-feira.
Ju: Meu Deus, parece que todo mundo tá com compromisso nessa quarta-feira agora. Chamei meu amigo para ir ao cinema essa semana e ele tá “Tá, boa, qualquer dia menos essa quarta-feira agora”. Chamei a [censurado] para ir ao shopping comigo quarta e ela toda “Ah, quarta tenho compromisso, vamos terça”. O que tá rolando quarta que todos estão me escondendo?
F: Olhe, eu te conto, mas você não pode contar para ninguém, OK? É altamente secreto.
Ju: Diga.
F: Festa na casa do Lew Ashby.

1966.
Lu: Eu não consigo agir sob pressão. Ano passado fui para a [recuperação] final de três matérias e ela [minha mãe] nem ligou, não disse absolutamente nada... Passei nas três. Primeiro semestre [de 2010] fui para a recuperação de oito matérias. Recuperei quase todas. Segundo semestre fiquei em quatro, passei em uma e fui para a final de quatro.
F: Porque você está tensa, não farei nenhuma piadinha com “fui para a final de quatro”.
Lu: (risos) Morri [de rir]!

1965.
Lu: As lésbicas daí dão no primeiro encontro igual em The L Word?
F: Apenas quando saem com a [censurado].
Lu: Sério?
F: Eu já te mostrei a [censurado]?
Lu: Acho que já...
F: Então você tem noção do nível de gostosura dela, né?
Lu: Eu não lembro mais quem é.
F: (manda uma foto) Viu aí?
Lu: Ah, verdade... Ela é tudo.
F: Logo... Não há como dizer “não” para ela.
Lu: Ai, eu comeria.
F: Morra de inveja (risos).
Lu: Vai se foder (risos)!

1964.
F: Preciso mudar o layout [do meu blog], ele já tem dois anos, está na hora de uma mudança.
PJ: Pensou em quê?
F: Pensei em pegar um layout legal no Btemplates, mas aconteceram algumas coisas aí e agora eu terei que criar um layout novo, o caso é que eu não faço a menor ideia de como mexer em HTML... Então, poderia me ajudar, mana [censurado]?
PJ: Claro que sim. Apesar de não ser tão boa em HTML. Estou à disposição (risos).
F: Ei, você já sabe de alguma coisa de HTML, eu não sei de nada, então até onde vai à relatividade, você é o meu Buda do HTML (risos).

1963.
Bruxo de Fogo: Cara, quando eu olho para o passado, eu só vejo mágoas e motivos pra me envergonhar, salvo algumas partes que valeram à pena ter passado, mas, no final das contas, minha vida só serve de diversão para quem quer se divertir com ela, e eu não quero.
F: Bruxo de Fogo, não leve a sua vida tão a sério, você nasceu de uma gozada e já sabe como tudo terminará, apenas aproveite o que está no meio disso.
Bruxo de Fogo: Posso tentar.
F: Ótimo, tente.
Bruxo de Fogo: Não é que eu pense nisso o tempo todo, mas quando eu penso, vêm essas merdas na minha cabeça.
F: “Não deixe que te ensinem a pensar, Lance, é a maldição do mundo”.
Bruxo de Fogo: Cara, eu não vejo a hora de eu estar falando “Olha, eu era igual a você, então eu te entendo, seja mais autoconfiante e não leve as coisas tão a sério”.
F: Olhe, eu te digo uma coisa: é muito legal fazer isso. E é mais legal ainda quando a pessoa para quem você está falando isso percebe que não há tanta diferença assim entre você e ela.

1962.
F: Bruxo, tudo na vida é um jogo de interesses, não tem jeito.
Bruxo de Fogo: É verdade, sei lá. Fazer algo diferente pra variar pode ser legal às vezes, ajudar só por ajudar, falar só por falar, ou sei lá.
F: Pessoalmente, eu acho isso impossível — para mim, sempre há um por que por trás de cada razão.

1961.
F: Fazer métrica é difícil, eu também nunca aprendi apesar dos esforços constantes da [censurado] (prof.ª de Literatura).
CW: Se VOCÊ não aprendeu... [Que chance eu tenho de aprender?].
F: Porra, falando desse jeito até parece que eu sou o Neil Gaiman da nossa geração.
CW: Você é o New Gayman da [nossa] geração. Brimks. Trollei (risos).


2 comentários:

Juliana Dias disse...

" F: Porra, falando desse jeito até parece que eu sou o Neil Gaiman da nossa geração.
CW: Você é o New Gayman da [nossa] geração. Brimks. Trollei (risos). "

sorry...mas EURI KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Paju Monteiro disse...

Sinto saudade mano;

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