quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Crônicas da Minha Vida (180) + Devaneio



.: DEVANEIO :.


Eu sinto o meu corpo pressionando contra o asfalto.
Eu sinto o meu coração palpitar acelerado.
Eu sinto o sangue quente escorrer pelo meu rosto.
Eu sinto dor. Em minhas mãos, em meu estômago, em meu rosto.
Eu sinto em meu orgulho: despedaçado como uma tênue lâmina de vidro.
Eu escuto as pessoas urrando ao meu redor.
Eu escuto alguns urrando palavras zombeteiras.
Eu escuto outros urrando palavras esperançosas.
Eu abro os meus olhos.
Eu encaro o céu noturno nublado.
Eu me levanto.
Eu encaro o meu agressor.
Eu não lembro porque estamos aqui, machucando-nos.
Eu fui o culpado? Ele foi o culpado? Quem foi o culpado? Por que estamos aqui?
Eu noto a cólera em seu olhar.
Eu noto o fechamento de sua mão.
Eu noto a sua vontade de me machucar.
Eu noto o seu primeiro passo em minha direção.
Eu sinto a minha respiração ofegar por um instante.
Eu sinto a minha mão se transformar em um punho.
Eu sinto a minha consciência desaparecer sucintamente.
Eu sinto o meu corpo tremer de ponta a cabeça.
Eu sinto o meu corpo ser tomado pelo monstro.
EU SINTO A DESTRUIÇÃO DAQUELE QUE QUER ME DESTRUIR.
I’m your dream. I’m your eyes. I’m your pain. You know it’s sad but true.


.: CRÔNICAS DA MINHA VIDA (180) :.

1710.
F: Eu sou maduro, ora.
Co: Não, você não é. Você é uma criança de oito anos. O que você tem são momentos de maturidade que, normalmente, só acontecem quando o mundo inteiro está caindo aos pedaços e você não tem escolha senão dar um jeito na situação.

1709.
CW: Cara, eu não sei por que, mas depois daquele lance do show do Paul [McCartney], peguei uma raiva da cara do [censurado].
F: Você é mulher e se sentiu traída. Traição é imperdoável, logo...
CW: Tem que ver, tem uma menina lá de [nome do lugar] que é amiga dele também. Pra ela, ele continua dando atenção mesmo com a namorada.
F: Porque se algum dia ele levar um pé na bunda da namorada, ele correrá pra afogar as lágrimas (e outras coisas) no colo dela.
CW: Espero que seja no dela mesmo. E quando vier dizer “Blá, blá, blá, o que eu faço?”, que vá para a puta que pariu.
F: Não, não, ele só vai mesmo transar com ela, a parte emocional, certamente, sobrará para ti. Você é o Sol, lembra? Ajudando sem nunca pedir nada em troca...

1708.
C: (tristezinha) Parece que eu não tenho mais em quem me apoiar. Não falo mais com a [censurado], com a [censurado]², com o [censurado]³.
F: Ei, ei, ei, ei, você SEMPRE pode contar comigo, OK? Faça chuva, faça sol, aconteça o que acontecer. Entendeu? Eu estou aqui por você. SEMPRE.

1707.
F: Teve amigos imaginários quando era pequena?
PJ: Eu tinha um diário que se chamava Ada... E levando em conta que até hoje converso (converso mesmo) com Deus, e que você não acredita em Deus... Tenho dois (risos).

1706.
F: Mas então, deu uma olhadela no manuscrito que eu te mandei?
PJ: Confesso que ainda não li. Mas que no máximo amanhã o termino. Desculpinha.
F: Não, tudo bem, moça. Não é como se você tivesse OBRIGAÇÃO de fazer isso, né.
PJ: Não o fiz hoje porque não deu mesmo. Estou curiosa. E preciso disso. Um pouco de fantasia.
F: É uma “fantasia realista”, serve?
PJ: Imaginei [que fosse], vindo de você (risos)! Eu o vejo como um realista. Às vezes, confesso que me sinto envergonhada de toda minha “diferença”. Acho que o seu realismo é bom. Imagino que eu viveria melhor se fosse assim.
F: Acho que o mais correto é o meio termo entre você e eu: todo mundo tem que ter o pé no chão, mas a cabeça nas nuvens.

1705.
F: E você, fazendo muitas safadezas mentais e virtuais com a [censurado]?
Lu: Ah, ela deu crise hoje de novo. Conversamos e nos resolvemos.
F: E assim será até o final dos tempos. A não ser, é claro, que você fique nem eu, isto é, não ligando para essas picuinhas.
Lu: Eu ligo, fico triste.
F: É porque você é menininha e novinha, ainda tem coração e alma diferentemente de mim. Continue assim enquanto puder, porque é lindinho, fofinho e esperançoso.
Lu: Ai, que horror, Felipe.
F: É, não é bonito, mas... Com o passar do tempo, essas coisinhas param de importar, nós mudamos e paramos de fazê-las.
Lu: Nossa... Você desanima qualquer um assim.
F: Por quê?
Lu: Não quero mudar.
F: Por que não?
Lu: Gosto de ser assim.
F: Mas não será assim para sempre. Ninguém muda completamente e ninguém nunca permanece o mesmo. Não tenha medo de mudanças. Elas SEMPRE têm seu lado positivo (piscadela).

1704.
Jo: (depois de horas falando de uma menina) O que eu faço agora, cara?
F: CH3NH2. Simples assim.

1703.
F: Quem é essa [censurado]?
J(p): É a namorada do primo do Idoso.
F: E cadê o primo do Idoso?
J(p): Em BH. Ele pediu para o Idoso tomar conta dela. Eu já vi esse filme. Você também.

1702.
BHG: (dá uma cheirada no meu pescoço) Por que você tá com cheiro de mulher?
F: ‘Cabou o meu perfume. Peguei o da bochechuda.
BHG: (cara de cu).
F: Tá, minha amiga tava agarrada no meu braço.
BHG: (cara de cu ao quadrado) O que você tem a dizer sobre isso?
F: Agarre-me mais do que ela e impregne o teu cheiro em mim, ora (piscadela).

1701.
F: Qual Label é o mais caro?
Idoso: Blue.
F: Sério? Sempre pensei que fosse o Red.
Idoso: Por quê? Só por que o Power Ranger Vermelho é o líder?
F: (ingenuamente) É.


3 comentários:

Guilherme Rodriguez disse...

Cara, uma simples pergunta... As coisas que você escreve aqui, inclusive devaneios são coisas do seu cotidiano? Sou muito chegado em textos autobiográficos (:

Felipe Cruz disse...

As crônicas (pedaços de conversa) são sim, cada uma delas aconteceu na vida real. Agora os devaneios, alguns sim (o da postagem anterior, por exemplo) e outros não (vide o dessa postagem).

Paju Monteiro disse...

Hahaha! Cara, sempre maluco. Conta com meio apoio! Abraçoo!

Postar um comentário