domingo, 24 de outubro de 2010

Crônicas da Minha Vida (179) + Devaneio



.: DEVANEIO :.


Mulheres. Eu amo as mulheres. Eu amo minha mãe, eu amo minha avó, eu amo minha irmãzinha bochechuda (não contem isso para ela!), eu amo minhas tias, eu amo minha prima, eu amo minhas amigas, eu amo as mulheres cujos gostos dos lábios eu conheço e também aquelas cujos lábios eu ainda provarei. Eu amo as mulheres. E eu vivo rodeado por elas. Assim sendo, eu aprendi uma coisa, ou duas, sobre elas com elas como, por exemplo, o modo como às mulheres se veem.

Veja bem, toda mulher — eu repito: TODA mulher da Kate Beckinsale até aquela menina MUITO gordinha da minha sala do cursinho é, em seu íntimo, insegura para com o seu corpo. O mundo girará e girará e ela NUNCA parará de se mirar no espelho e ver defeitos, unicamente, existentes para ela: são umas gordurazinhas aqui, são uns poros enormes ali, são pontas duplas de montão acolá e por aí vai. Eu, como homem, passei dezoito de meus vinte anos tentando, bravamente, fazer com que as mulheres do meu mundo pararem de agir desse modo, que se aceitassem como são aos meus olhos e aos olhos dos outros: lindas e bonitas. Um autêntico trabalho de Sísifo, porque não obstante do que eu diga, elas NUNCA deixarão de se fitar no espelho e enxergar tais defeitos. Isso quer dizer que nós, homens, temos de largar de mão essa missão? Mas é claro que não! Isso apenas quer dizer que devemos ser mais compreensíveis com certas coisas.

Aquela produção de horas, aparentemente, sem fim antes de sair, por exemplo. Ao contrário do que muitos pensam e do que muitos dizem; a mulher não gasta tanto tempo experimentando roupas, trocando sapatos, escolhendo bolsas, arrumando o cabelo e aplicando a maquilagem para ficar lindas para outras mulheres. As outras são, a princípio, importantes. Elas fazem tudo isso para ficarem lindas para si, para esconderem aqueles defeitozinhos que só existem em seus olhos, ao fazê-lo; elas passam a se sentir mais confiantes e mais atraentes, o que, por sua vez, causa um efeito engraçado em nós, homens: fitamos aquela mulher especial trajada com um vestido preto de noite, usando aquele salto alto fatal, aquela sombra perfeita e empunhando aquela bolsa brilhante e minúscula onde, incrivelmente, jaz uma infinidade de coisas e então nós ficamos completamente boquiabertos, estupefatos, maravilhados e, às vezes, mais apaixonados do que antes. Uma novidade para você, meu amigo, tudo isso não é causado pela roupa dela. Não, não. É causado pela mudança na atitude dela, a metamorfose daquela menina quietinha em uma verdadeira femme fatale.

Então, meus amigos, continuem elogiando-as e mimando-as e, por favor, tenham um tantinho mais de paciência durante àquelas horas intermináveis e enfadonhas de arrumação: elas precisam disso e, caramba, você vai simplesmente adorar quando vir o resultado final. Um agradecimento do fundo do coração às mulheres da minha vida por terem me feito perceber isso. Beijos.


.: CRÔNICAS DA MINHA VIDA (179) :.

1700.
P: Seguinte, mano, tô caindo no chão aqui [de tanto sono], eu quero ficar, mas o meu corpo não quer continuar, logo... Tenho que ir. Se cuida. Estuda. Não desiste. Se mantenha longe da vida dos outros. Você não tem nada a ver com elas. Descanse, poupe grana, corte o cabelo, faça a barba, tome banho, troque de roupa, use menos a Internet, use mais a imaginação, use mais o perdão (se souber como utilizar isso, me ensine). Abração!
F: Abraços, mano. Foi bom falar contigo de novo. Muito bom.

1699.
F: Então, quais as novidades da tua cidade nesses últimos minutos?
CW: Sei lá, mano. Nem fui lá fora. Se eu for, corro o risco de não voltar. Minha cidade tá uma favelice só.
F: Criminalidade tão alta assim é? Caramba, não consigo imaginar morar num lugar onde eu não posso andar livremente à noite.
CW: Poder, pode. Mas, sei lá, eu não arriscaria aqui, não. Só se eu estivesse de carro e olhe lá.
F: Então, nada de volta da festa a pé, conversando com os amigos, pegando aquela brisa noturna e admirando as estrelas?
CW: Não, até dá. Nego vive na rua, mas eu não gosto. Sei lá.
F: Ah, tá. Pô, do jeito que você falou, eu pensei que era mais ou menos assim: você vai correndo de casa para ir comprar refrigerante na esquina, daí quando volta tem um carinha te esperando com uma arma na porta de casa, ele aponta a arma para ti e falar “O refrigerante, ou a vida”.
CW: Seria engraçado (convulsões de risos).

1698.
F: O problema é que para muitas pessoas música é algo dispensável, isso é um pensamento MUITO errado, música é TUDO. Vide os filmes: não obstante do quão bom for o roteiro, um filme nunca estará completo sem uma trilha sonora divina.
CW: Concordo plenamente.
F: Amém. Ah, eu amo música. É o mais próximo que eu tenho de uma religião. E Mike Portnoy é o meu Deus.

1697.
CW: (envia um arquivo pelo MSN).
F: (espantado) Eita! Fotinho do arquivo sendo transferida está com umas cores from hell, parece uma pintura do surrealismo! É, é, esse MSN 2011 é obra de Exu Belzebu mesmo, só pode!
CW: Que cores (risos)?
F: Todas que você possa imaginar! Para você ter uma ideia, há cores que eu nunca tinha visto antes! Totalmente surreal, digno de uma viagem no ácido com Astronomy Domine do Pink Floyd tocando no fundo!

1696.
CW: Eu fui comprar um esmalte hoje, mas a loja de esmaltes estava fechada, aí eu fui em outra que vendia esmaltes pelo dobro do preço. Aham, senta lá. Tá, tudo isso é desnecessário contar, mas, enfim...
F: Na verdade, essas coisas desnecessárias são interessantes de contar, servem para mostrar que você não passa o dia inteiro encurvada sobre a mesa estudando, escrevendo e pensando no Paul McCartney. É o tipo de coisa que eu espero ouvir como resposta toda santa vez em que te pergunto “Como foi o dia?”.
CW: Escrever e pensar no Paul é mais interessante.
F: Discordo, discordo. Nada de tão interessante pode acontecer quando você está apenas escrevendo e pensando -- especialmente quando está pensando no Paul McCartney. Acho mais interessante você ter saído para comprar um esmalte, digo, o simples fato de sair de casa gera milhões de possibilidades de algo interessante acontecer! Quer dizer, já pensou se você dobra em uma esquina e, bam!, esbarra em um produtor musical que está procurando uma menina baixinha, branquinha e de cabelos pretos para ser a nova estrela da sua produtora? Pô, isso nunca aconteceria dentro de casa... Tá, eu viajei um pouco agora, mas você entendeu.
CW: Viajou MUITO (risos)!
F: Eu sou um escritor, ora. Viajar na maionese é algo essencial para o meu ganha-pão.

1695.
F: Então, lembrei-me hoje de uma coisa: você não pode ser o Batman, a vaga já está preenchida há anos, precisará escolher outro super-herói. Recomendo o Lanterna Verde.
J(p): Por quê?
F: Porque, como me foi lembrado hoje, o [grande mano esbranquiçado] ocupa a posição de Batman há uma década.
J(p): Quais sobraram?
F: Uma porrada.
J(p): Exemplos bons.
F: Lanterna Verde, Capitão Marvel, Sandman (Daniel Hall), Dr. Destino, Caçador Marciano, Flash, Arqueiro Verde, Cyborg, Nightwing, Red Robin, etc, etc.
J(p): Estou entre Lanterna Verde e Flash.
F: Lanterna Verde (Hal Jordan). Ele deu um soco no Batman.

1694.
Ju: Ei, convence o [grande mano esbranquiçado] a ir sexta[-feira] [com a gente para o bar].
F: Dado ao evento para o qual ele vai; nem eu consigo convencê-lo a ir ao Studio Pub na sexta-feira.
Ju: Medo! What?
F: Envolve notas de dois reais, lantejoulas e um “trem”.
Ju: OK, já sei (convulsões de risos).

1693.
Lu: Puxa, o Pará não existe.
F: Pará não é o Acre.
Lu: Para mim nenhum dos dois existe.
F: Sim, então eu sou o quê? Um amigo imaginário muito safado?
Lu: Olha, você é meu irmão. E deveria morar no Rio [de Janeiro].
F: Acho que o Rio de Janeiro ficaria em pedaços se eu morasse aí.
Lu: Por quê?
F: Ah, porque sim. Imagine eu e você morando aí.
Lu: É... Acho que teríamos de dividir as mulheres. Morri [de rir].
F: Às vezes a mesma.
Lu: Morri [de rir]. Menos a [censurado]. Não divido a [censurado].
F: Tudo bem, eu também NUNCA dividiria a [minha musa] contigo.

1692.
Lu: Qual MSN está usando?
F: MSN 2011. O mais novo que foi lançado.
Lu: Ah, eu baixei, achei ruim e voltei para o 2010. Pode xingar nesse aí?
F: Como assim?
Lu: Disseram que não dá pra falar palavrão.
F: (testando) Porra! Caralho! Filho da puta! Filho duma maldita rameira! Filho de uma macaca assanhada! Justin Bieber! Apareceu aí?
Lu: Apareceu. Morri [de rir]. Estou rindo demais. “Justin Bieber” (risos).

1691.
Ai: Suas mãos são tão macias.
F: São mãos de médico.
Ai: Mãos de vagabundo (risos).
F: (owned).

2 comentários:

Paju Monteiro disse...

Você sabe que a minha leitura por aqui estava atrasada? Não posso deixar acumular tanto. ¬¬
Mas sempre muito boa a escrita... A maneira como vê as coisas. E olha que isso é um elogio e tanto vindo da (raça superior) #Olíviaseacha. Hahaha!
brincadeira, ta sempre mto bom amigo. Até!

Paju Monteiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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